segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Memes & Corações Partidos

 

     Estava sentada, na mesa do costume, com mais um dos molhos de folhas e sebentas que têm acompanhado esta adiada entrada em 2020, quando, via mensagem, chegou o lembrete do quão sozinha me sinto. Foi então que eu, que ocasionalmente digo em tom jocoso, "As minhas glândulas lacrimais estão estragadas", vi as lágrimas encherem-me os olhos, escorrendo-me grossamente pela face, enquanto a minha garganta se apertava sobre si mesma. Assim, culminou um ano de emoções engarrafadas, falsas promessas e um coração quebrado, em cujo pontos ainda estão fresco e, infelizmente, laços. 
     Saltou-me a tampa; e bem sei, auto-comiseração há muito que passou de moda, mas é difícil não olhar para a minha vida  e questionar "Raios, o que estou a fazer de errado?". Vinte e dois anos e zero poemas de amor escritos, versos uma carrada de "ses", "talvez" e "até podia ter sido, mas ele disse que era complicado, durante mais de 3 meses, e eu simplesmente decidi que não me ia humilhar de novo".
      Agora, pensam vocês, "Caramba miúda, tanto dramatismo, mas tens uma vida pela frente, muita tinta ainda há-de correr e tu vais certamente ser feliz. Aliás a taxa de solteironas, com 14 gatos e um piriquito, é baixita em Portugal, ainda não reparaste que os abrigos de animais estão cheios? Fossem muitas e esse problema resolvia-se.".  E claro que tenho consciência da possibilidade deste desfecho sorridente, mas quando são 4 da manhã e nos sentimos sozinhos no mundo é complicado ter fé em dia melhores, principalmente quando adormecemos, há tempo demais, com os mesmos cenários fantasiosos na cabeça.
     Acabo, portanto, às voltas com tipo de sempre, o que já arruinou mais de 10 músicas. Aquele que me valoriza ligeiramente, mas nem de perto, nem de longe, o suficiente para continuar a ser a pessoa que visualizo como "certa", quer no futuro que é daqui a um mês, quer naquele que é daqui a 5 anos e envolve um sofá bege e a perspectiva de uma criança pequena. É triste, porque este conflito que me prende e me impede de seguir em frente, de tentar verdadeiramente conhecer pessoas novas e dar uma hipótese, acima de tudo,  a mim mesma, é um conflito que existe apenas dentro da minha cabeça. Porque eu tenho noção que para ti, sou apenas a notificação de "Tem uma mensagem nova" , que surge no fundo do ecrã,  acompanhada por um suspiro enfadado de quem, por aquilo que certamente é respeito, tenta agora ser uma presença constante na minha vida.
     É assim que os dias vão passando e sinto-me cada vez mais ridícula. Porque sou muita mais do que isto, muito mais do que a sombra de um gajo que não vê, ou não quer ver. Muito mais do que esta rapariga que se sente terrivelmente sozinha e, novamente, vê todos em seu redor seguir em frente, enquanto segue estagnada. Tenho a certeza de que sou mais, só não sei como sê-lo.